01 / A pergunta
Quem sai atrás já virou?
Sim, e com frequência parecida em toda parte. A exceção é a eleição presidencial brasileira.
segundos turnos presidenciais na América Latina, de 1984 a 2026
disputas de governador no Brasil, de 1990 a 2022
segundos turnos presidenciais no Brasil, de 1989 a 2022
Incumbente que saiu atrás
Um presidente em exercício virou: Santos, na Colômbia de 2014, de 3,6 pontos atrás para 5,9 à frente. No Brasil, três governadores e um prefeito viraram desvantagens de 1,4 a 9,3 pontos. Bolsonaro, em 2022, encurtou de 5,2 para 1,8 e perdeu.
Candidato de esquerda que saiu atrás
Correa virou 4,0 pontos em 2006 e Boric, 2,1 em 2021. No Brasil, Olívio Dutra, Haddad e Evandro Leitão viraram entre 0,5 e 5,9 pontos. Em pelo menos oito das 22 viradas da região, quem liderava e perdeu vinha da esquerda.
Coalizão ampla que saiu atrás
É o caminho mais comum. A maior virada, de 18,8 pontos, foi de Kuczynski no Peru de 2016. Quase sempre a frente se formou contra o líder do 1º turno, e ela nunca transfere tudo: no Uruguai de 2019, os aliados somavam 51% e o candidato terminou com 48,9%.
O que isso diz sobre 25 de outubro
- A conta: com o mesmo eleitorado, Lula precisa de 62% dos votos dos candidatos eliminados para chegar a 50%. Flávio Bolsonaro precisa de 38%.
- A favor de uma virada: na região, 57% dos segundos turnos com diferença inferior a 6,7 pontos viraram. No Brasil, o 2º colocado ficou com 62% ou mais dos pontos redistribuídos em 2018 e em 2022.
- Contra: só 17% dos líderes com mais de 36,6% no 1º turno perderam, e nenhum líder presidencial acima de 45,9% perdeu um 2º turno na região. Os dois casos mais parecidos de 2026, Cepeda na Colômbia e Sánchez no Peru, encurtaram a distância e perderam por menos de 1 ponto.
02 / Simule
Quanto cada alavanca move?
São 15.869 pontos no mapa, cada um valendo 10 mil eleitores. Escolha um cenário, mexa nas alavancas e rode os 21 dias de campanha.
Não é uma previsão. O número grande é a média calculada; o mapa mostra uma campanha possível, dia a dia: quem decide sozinho, quem é procurado e quem convence o vizinho. Quem se abstém não aparece.
- Ainda sem candidato
- Branco ou nulo
- Conversa do dia
- Mudou de voto
Alavancas da campanha
Quanto vale cada conversa
Linha de base: transferência e comparecimento
Incerteza
O que a simulação mostra na configuração de base
- Três coisas têm escala para fechar a distância: a transferência dos eliminados, a retenção desigual das bases e um deslocamento nacional da opinião.
- Conversa rende dezenas de votos por mil. Mesmo com o efeito do experimento francês, 10 milhões de conversas valem 0,6 milhão de votos, um quarto da distância.
- Reter rende mais do que buscar ausentes. Cada ponto a menos de evasão do próprio eleitor vale 530 mil votos, e não há risco de trazer votos para o adversário.
- O público certo muda o sinal da mobilização. Procurar ausentes lulistas rende 19 votos a cada mil conversas; entre independentes, perto de zero; na direita não bolsonarista, tira 16. Por perfil, rendem militantes de esquerda, dependentes do Estado e progressistas.
- A onda não se alastra. Como no modelo Fire, o que decide é a densidade do combustível. Cada eleitor tem em média 1,3 vizinho que ainda pode ser levado a votar e 0,3 que ainda pode ser convencido. Mesmo com contágio máximo, cada mudança de voto gera menos de duas outras, e a campanha acaba antes de a onda crescer.
- Mobilizar ausentes no terreno errado tira votos. O mesmo esforço rende no Nordeste de baixa escolaridade e custa no Sul de escolaridade alta.
03 / Casos
Onde isso já aconteceu?
Em 22 dos 67 segundos turnos presidenciais disputados na América Latina desde 1984, em pelo menos 14 disputas na Europa e nos Estados Unidos, e em dezenas de disputas estaduais e municipais brasileiras.
A contagem regional parte do levantamento do IDEA Internacional, com 20 viradas em 60 segundos turnos até novembro de 2023, atualizado com os sete seguintes. Parte dos percentuais antigos é citada de memória e vale conferir no órgão eleitoral antes de publicar.
As 22 viradas presidenciais na América Latina
| Ano e país | Quem virou | 1º turno: virador × líder (%) | 2º turno (%) | Distância no 1º turno → margem final (p.p.) | Perfil de quem virou |
|---|---|---|---|---|---|
| 1984 · Equador | Febres Cordero | 27,2 × 28,7 | 51,5 × 48,5 | −1,5 → +3,1 | Direita, oposição |
| 1990 · Peru | Fujimori | 29,1 × 32,6 | 62,4 × 37,6 | −3,5 → +24,8 | Outsider com apoio de APRA e esquerda |
| 1990–91 · Guatemala | Serrano | 24,1 × 25,7 | 68,1 × 31,9 | −1,6 → +36,2 | Direita, oposição |
| 1996 · Equador | Bucaram | 26,3 × 27,2 | 54,5 × 45,5 | −0,9 → +9,0 | Populista, oposição |
| 1996 · Rep. Dominicana | Leonel Fernández | 38,9 × 45,9 | 51,25 × 48,75 | −7,0 → +2,5 | Coalizão ampla (Frente Patriótico) |
| 1998 · Colômbia | Pastrana | 34,0 × 34,4 | 50,4 × 46,5 | −0,4 → +3,9 | Oposição conservadora |
| 1999 · Uruguai | Batlle | 32,8 × 40,1 | 54,1 × 45,9 | −7,3 → +8,3 | Governista, coalizão Colorado–Blanco |
| 2006 · Peru | Alan García | 24,3 × 30,6 | 52,6 × 47,4 | −6,3 → +5,2 | Centro-esquerda com voto anti-Humala |
| 2006 · Equador | Correa | 22,8 × 26,8 | 56,7 × 43,3 | −4,0 → +13,3 | Esquerda, oposição |
| 2014 · Colômbia | Santos | 25,69 × 29,25 | 50,95 × 45,00 | −3,6 → +5,9 | Presidente em exercício, coalizão ampla |
| 2015 · Argentina | Macri | 34,15 × 37,08 | 51,3 × 48,6 | −2,9 → +2,7 | Coalizão de oposição (Cambiemos) |
| 2016 · Peru | Kuczynski | 21,05 × 39,86 | 50,12 × 49,88 | −18,8 → +0,2 | Frente antifujimorista, com a esquerda |
| 2018 · Costa Rica | Carlos Alvarado | 21,6 × 25,0 | 60,6 × 39,4 | −3,4 → +21,2 | Centro-esquerda governista, unidade nacional |
| 2019 · Guatemala | Giammattei | 13,9 × 25,5 | 58,0 × 42,0 | −11,6 → +16,0 | Direita, oposição |
| 2019 · Uruguai | Lacalle Pou | 28,6 × 39,0 | 48,9 × 47,4 | −10,4 → +1,5 | Coalizão de cinco partidos |
| 2021 · Equador | Lasso | 19,74 × 32,72 | 52,36 × 47,64 | −13,0 → +4,7 | Direita, frente anticorreísta |
| 2021 · Chile | Boric | 25,83 × 27,91 | 55,87 × 44,13 | −2,1 → +11,7 | Esquerda, ampliada ao centro |
| 2022 · Costa Rica | Chaves | 16,8 × 27,3 | 52,8 × 47,2 | −10,5 → +5,7 | Outsider, oposição |
| 2023 · Guatemala | Arévalo | 15,5 × 21,1 | 60,9 × 39,1 | −5,6 → +21,8 | Centro-esquerda, oposição |
| 2023 · Equador | Daniel Noboa | 23,47 × 33,61 | 51,83 × 48,17 | −10,1 → +3,7 | Direita, oposição |
| 2023 · Argentina | Milei | 29,99 × 36,69 | 55,65 × 44,35 | −6,7 → +11,3 | Outsider com apoio da centro-direita |
| 2025 · Chile | Kast | 23,92 × 26,85 | ≈58 × 42 | −2,9 → ≈+16 | Direita unificada, oposição |
Quatorze viradas no resto do mundo
Fora da América Latina, as viradas seguem o mesmo roteiro: ou os votos dos eliminados vão em bloco para quem estava atrás, ou uma base volta às urnas mais do que a outra.
| Ano e país | Quem virou | 1º turno: virador × líder (%) | 2º turno (%) | Distância no 1º turno → margem final (p.p.) | Perfil de quem virou |
|---|---|---|---|---|---|
| 1974 · França | Giscard d'Estaing | 32,6 × 43,2 | 50,8 × 49,2 | −10,6 → +1,6 | Centro-direita unificada contra a esquerda |
| 1981 · França | Mitterrand | 25,9 × 28,3 | 51,8 × 48,2 | −2,5 → +3,5 | Esquerda, com apoio comunista; a direita não se uniu |
| 1986 · Portugal | Mário Soares | 25,4 × 46,3 | 51,2 × 48,8 | −20,9 → +2,4 | Centro-esquerda, com o voto comunista |
| 1992 · Geórgia (EUA), Senado | Coverdell | 47,7 × 49,2 | 50,6 × 49,4 | −1,6 → +1,3 | Oposição; o comparecimento caiu quase pela metade |
| 1995 · França | Chirac | 20,8 × 23,3 | 52,6 × 47,4 | −2,5 → +5,3 | Direita reunificada |
| 1996 · Romênia | Constantinescu | 28,2 × 32,3 | 54,4 × 45,6 | −4,0 → +8,8 | Oposição unida contra o presidente |
| 2004 · Romênia | Băsescu | 33,9 × 40,9 | 51,2 × 48,8 | −7,0 → +2,5 | Oposição de centro-direita |
| 2014 · Romênia | Iohannis | 30,4 × 40,4 | 54,4 × 45,6 | −10,1 → +8,9 | Centro-direita, com a diáspora e os jovens |
| 2015 · Croácia | Grabar-Kitarović | 37,2 × 38,5 | 50,7 × 49,3 | −1,2 → +1,5 | Oposição conservadora contra o presidente |
| 2016 · Áustria | Van der Bellen | 21,3 × 35,1 | 53,8 × 46,2 | −13,7 → +7,6 | Frente ampla contra a extrema direita; 2º turno repetido em dezembro |
| 2021 · Geórgia (EUA), Senado | Ossoff | 47,9 × 49,7 | 50,6 × 49,4 | −1,8 → +1,2 | Oposição; a base do líder voltou menos às urnas |
| 2024 · Eslováquia | Pellegrini | 37,0 × 42,5 | 53,1 × 46,9 | −5,5 → +6,2 | Governista, com os votos nacionalistas |
| 2025 · Romênia | Nicușor Dan | 20,99 × 40,96 | 53,60 × 46,40 | −20,0 → +7,2 | Independente pró-Europa, frente contra a extrema direita |
| 2025 · Polônia | Nawrocki | 29,54 × 31,36 | 50,89 × 49,11 | −1,8 → +1,8 | Direita, com os votos da extrema direita eliminada |
- Polônia 2025 é o caso mais parecido em tamanho: 1,8 ponto de distância, virada por 1,8. Só que ali quem estava atrás tinha a maior reserva de votos eliminados, 21% da extrema direita. No Brasil de 2026, essa reserva está mais perto do líder.
- Romênia 2025 é o caso mais parecido em tática: sem reserva de votos afins, a virada veio de 11,5 pontos a mais de comparecimento. O voto é facultativo lá; no Brasil, a abstenção nunca variou mais de 3,4 pontos entre turnos.
- Geórgia, nos EUA, virou duas vezes sem transferência: em 1992 e em 2021, a diferença foi quem deixou de voltar.
Resultados anteriores a 2024 foram citados de memória e valem conferência.
Dez vezes em que o líder segurou por pouco
Quem está atrás quase sempre encurta a distância. Em nove destes dez casos a margem final foi menor que a do 1º turno.
| Ano e país | Quem estava atrás | 1º turno: atrás × líder (%) | 2º turno (%) | Distância no 1º turno → margem final (p.p.) | Perfil de quem estava atrás |
|---|---|---|---|---|---|
| 2014 · El Salvador | Quijano | 39,0 × 48,9 | 49,89 × 50,11 | −9,9 → −0,2 | Direita, oposição |
| 2014 · Brasil | Aécio Neves | 33,55 × 41,59 | 48,36 × 51,64 | −8,0 → −3,3 | Centro-direita, oposição |
| 2021 · Peru | Keiko Fujimori | 13,41 × 18,92 | 49,87 × 50,13 | −5,5 → −0,3 | Direita, frente anti-Castillo |
| 2022 · Colômbia | Rodolfo Hernández | 28,2 × 40,3 | 47,31 × 50,44 | −12,1 → −3,1 | Outsider com apoio da direita |
| 2022 · Brasil | Bolsonaro | 43,20 × 48,43 | 49,10 × 50,90 | −5,2 → −1,8 | Presidente em exercício |
| 2024 · Uruguai | Delgado | 26,8 × 43,9 | 45,9 × 49,8 | −17,1 → −3,9 | Governista, coalizão de cinco partidos |
| 2025 · Equador | Luisa González | 44,0 × 44,2 | 44,4 × 55,6 | −0,2 → −11,2 | Esquerda, oposição |
| 2025 · Bolívia | Quiroga | 26,7 × 32,1 | ≈45 × 55 | −5,4 → ≈−10 | Direita, oposição |
| 2026 · Peru | Roberto Sánchez | 12,03 × 17,18 | 49,865 × 50,135 | −5,2 → −0,3 | Esquerda |
| 2026 · Colômbia | Iván Cepeda | 40,90 × 43,74 | 48,70 × 49,66 | −2,8 → −1,0 | Esquerda governista |
Brasil presidencial, de 1989 a 2026
Nenhum dos sete segundos turnos virou, mas o 2º colocado ganhou mais votos que o líder em seis deles.
| Ano | 1º turno: líder × 2º (% válidos) | 2º turno (% válidos) | Distância no 1º → no 2º turno (p.p.) | Votos ganhos entre turnos: líder / 2º (milhões) | Parcela dos pontos redistribuídos que ficou com o 2º | Abstenção no 1º → no 2º turno (%) |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 1989 | Collor 30,47 × Lula 17,18 | 53,03 × 46,97 | 13,3 → 6,1 | +14,5 / +19,5 | 57% | 11,9 → 14,4 |
| 2002 | Lula 46,44 × Serra 23,19 | 61,27 × 38,73 | 23,2 → 22,5 | +13,3 / +13,7 | 51% | 17,7 → 20,5 |
| 2006 | Lula 48,61 × Alckmin 41,64 | 60,83 × 39,17 | 7,0 → 21,7 | +11,6 / −2,4 | negativa | 16,75 → 19,0 |
| 2010 | Dilma 46,91 × Serra 32,61 | 56,05 × 43,95 | 14,3 → 12,1 | +8,1 / +10,6 | 55% | 18,12 → 21,5 |
| 2014 | Dilma 41,59 × Aécio 33,55 | 51,64 × 48,36 | 8,0 → 3,3 | +11,2 / +16,1 | 60% | 19,39 → 21,1 |
| 2018 | Bolsonaro 46,03 × Haddad 29,28 | 55,13 × 44,87 | 16,8 → 10,3 | +8,5 / +15,7 | 63% | 20,33 → 21,3 |
| 2022 | Lula 48,43 × Bolsonaro 43,20 | 50,90 × 49,10 | 5,2 → 1,8 | +3,1 / +7,1 | 70% | 20,95 → 20,59 |
| 2026 | Flávio Bolsonaro 47,03 × Lula 45,16 | 25 de outubro | 1,9 → ? | precisa de 62% | 21,07 → ? |
- A maior recuperação foi de 7,2 pontos, em 1989; depois 6,5 em 2018, 4,7 em 2014 e 3,4 em 2022.
- A abstenção subiu no 2º turno em seis das sete disputas. A exceção foi 2022.
- Em 2006, Alckmin teve menos votos no 2º turno do que no 1º: o único caso em que o líder ampliou a distância.
Governadores e prefeitos que viraram no Brasil
Nos estados, 35 de 120 segundos turnos viraram entre 1990 e 2022. Em 2024, 12 de 51 cidades viraram, incluindo 5 das 15 capitais.
| Ano e disputa | Quem virou | 1º turno: virador × líder (%) | 2º turno (%) | Distância no 1º turno → margem final (p.p.) | Perfil de quem virou |
|---|---|---|---|---|---|
| 1998 · SP governo | Mário Covas | 22,95 × 32,21 | 55,37 × 44,63 | −9,3 → +10,7 | Governador em exercício, com apoio do PT no 2º turno |
| 1998 · RS governo | Olívio Dutra | 45,9 × 46,4 | 50,8 × 49,2 | −0,5 → +1,6 | Esquerda (PT), contra governador em exercício |
| 2006 · PE governo | Eduardo Campos | 33,8 × 39,3 | 65,4 × 34,6 | −5,5 → +30,8 | Centro-esquerda, com apoio do PT no 2º turno |
| 2006 · PA governo | Ana Júlia Carepa | 37,5 × 43,8 | 54,9 × 45,1 | −6,3 → +9,8 | Esquerda (PT) |
| 2006 · MA governo | Jackson Lago | 34,4 × 47,2 | 51,8 × 48,2 | −12,8 → +3,6 | Frente ampla de oposição |
| 2012 · São Paulo prefeitura | Fernando Haddad | 29,0 × 30,8 | 55,6 × 44,4 | −1,8 → +11,2 | Esquerda (PT) |
| 2014 · PA governo | Simão Jatene | 48,48 × 49,88 | 51,92 × 48,08 | −1,4 → +3,8 | Governador em exercício, coligação de 15 partidos |
| 2014 · PB governo | Ricardo Coutinho | 46,05 × 47,44 | 52,61 × 47,39 | −1,4 → +5,2 | Governador em exercício, centro-esquerda |
| 2022 · RS governo | Eduardo Leite | 26,81 × 37,50 | 57,12 × 42,88 | −10,7 → +14,2 | Ex-governador, frente do centro à esquerda |
| 2022 · PE governo | Raquel Lyra | 20,58 × 23,97 | 58,70 × 41,30 | −3,4 → +17,4 | Centro, oposição |
| 2022 · MS governo | Eduardo Riedel | 25,16 × 26,71 | 56,90 × 43,10 | −1,6 → +13,8 | Governista |
| 2022 · SE governo | Fábio Mitidieri | 38,91 × 44,70 | 51,70 × 48,30 | −5,8 → +3,4 | Governista, contra candidato do PT |
| 2024 · Belo Horizonte | Fuad Noman | 26,54 × 34,38 | 53,73 × 46,27 | −7,8 → +7,5 | Prefeito em exercício, frente ampla |
| 2024 · Fortaleza | Evandro Leitão | 34,33 × 40,20 | 50,38 × 49,62 | −5,9 → +0,8 | Esquerda (PT), governista no estado |
| 2024 · Goiânia | Sandro Mabel | 27,66 × 31,14 | 55,53 × 44,47 | −3,5 → +11,1 | Centro-direita, governista no estado |
| 2024 · Porto Velho | Léo Moraes | 25,65 × 44,53 | 56,18 × 43,82 | −18,9 → +12,4 | Oposição |
| 2024 · Palmas | Eduardo Siqueira Campos | 32,42 × 39,22 | 53,03 × 46,97 | −6,8 → +6,1 | Oposição |
Quatro líderes perderam mesmo tendo passado de 46% no 1º turno: Helder Barbalho (49,88%), Cássio Cunha Lima (47,44%), Roseana Sarney (47,2%) e Antônio Britto (46,4%).
Quando a virada acontece
- Distância pequena: com diferença inferior a 6,7 pontos, 12 de 21 segundos turnos viraram. Acima disso, 8 de 39.
- Líder fraco: quase metade das viradas ocorreu quando o líder teve menos de 30% no 1º turno.
- Mais gente votando: o comparecimento médio cai de 70,3% para 68,6% entre os turnos, mas sobe na maioria das viradas.
- Coalizão mais ampla: o IDEA aponta a capacidade de montá-la, e de apresentar o adversário como o mal maior, como o fator decisivo nos segundos turnos apertados.
04 / Ferramentas
O que as campanhas fizeram?
Quatro ferramentas se repetem nas viradas, na América Latina, na Europa e nos Estados Unidos: coalizão formal, reenquadramento da disputa, mobilização territorial e evento de última semana. Poucas têm efeito medido com rigor.
Estudos de caso em 11 países: o que cada campanha fez
As viradas presidenciais documentadas combinaram pelo menos duas ferramentas ao mesmo tempo, e nenhuma dependeu só de comunicação.
| Caso | Ferramenta | Como se manifestou | Efeito observado |
|---|---|---|---|
| Colômbia 2014 · Santos | Reenquadramento | A paz com as FARC virou o eixo único do 2º turno | Voto em branco caiu de 6% para 4% |
| Colômbia 2014 · Santos | Coalizão | Apoios de Clara López, Peñalosa, Mockus e Gaviria; em Bogotá, os votos da esquerda decidiram | Transferência de grande parte dos 3 milhões de votos da esquerda |
| Colômbia 2014 · Santos | Máquina territorial | Estrutura partidária da costa caribenha, parada no 1º turno, ativada no 2º | 19% mais votantes; comparecimento de 40% para 47,9% |
| Chile 2021 · Boric | Mobilização de rua | "1 milhão de portas por Boric"; giro de ônibus da chefe de campanha por 25 comunas em 10 dias | Comparecimento de 47,3% para 55,6%; 28,2% dos votos finais vieram de quem não votou no 1º turno |
| Chile 2021 · Boric | Reenquadramento | Giro à moderação; peça de TV dirigida às mulheres | Venceu regiões que perdera no 1º turno, como Antofagasta |
| Chile 2021 · Boric | Coalizão | Estruturas da ex-Concertação; apoios de Lagos e Bachelet | 61% dos eleitores de Provoste declaravam voto em Boric |
| Peru 2016 · Kuczynski | Evento | Reportagem sobre investigação da DEA contra o secretário-geral do partido de Keiko Fujimori | Sozinha, teve impacto baixo ou nulo na pesquisa Ipsos da semana |
| Peru 2016 · Kuczynski | Manifestação | Marcha "Keiko no va" em 31 de maio, com cerca de 70 mil pessoas | Deu um ponto de convergência ao voto contra a líder |
| Peru 2016 · Kuczynski | Coalizão tardia | Apoio explícito de Verónika Mendoza (18,7% no 1º turno), em vídeo, na última semana | De 21% para 50,1%, com 10% a 15% de indecisos na reta final |
| Uruguai 2019 · Lacalle Pou | Coalizão programática | "Compromiso por el País", documento assinado por cinco partidos | De 28,6% para 48,9%, abaixo dos 51% que os aliados somavam |
| Uruguai 2019 · Frente Amplio | Voto a voto | Novo chefe de campanha e militância de base, com foco em quem não votou em nenhum dos dois | Pesquisa dava 5 pontos de desvantagem; terminou em 1,5, sem virar |
| França 2012 · Hollande | Porta a porta | 5 milhões de portas, conversas de 5 minutos, seções sorteadas | +2,75 p.p. de votos no 2º turno nas seções visitadas; comparecimento inalterado |
| Brasil 2022 | Acesso no dia | Passe livre para 48,7% dos eleitores no 2º turno | Efeito nulo no comparecimento; mobilidade 7,2% a 17,5% maior |
| Brasil 2022 | Coalizão | Tebet e Ciro declararam apoio a Lula | Pesquisa dava a Lula 59% e 56% desses eleitores; no agregado, Bolsonaro ficou com 70% dos pontos redistribuídos |
| Polônia 2025 · Nawrocki | Coalizão | Assinou a declaração de oito pontos de Mentzen, terceiro colocado com 14,8%; o quarto, Braun, tinha 6,3% | De 29,5% para 50,9%; comparecimento de 67,3% para 71,6%. Virou 1,8 ponto |
| Romênia 2025 · Nicușor Dan | Mobilização | Disputa reenquadrada como Europa contra isolamento; 660 mil votos a mais na diáspora | Comparecimento de 53,2% para 64,7%; de 21,0% para 53,6% |
| Romênia 2014 · Iohannis | Mobilização | Filas e seções insuficientes para a diáspora no 1º turno viraram indignação nas redes | Comparecimento de 53% para 64%; virou 10 pontos |
| Eslováquia 2024 · Pellegrini | Reenquadramento | Apresentou-se como o candidato da paz e buscou os 11,7% do nacionalista Harabin | Comparecimento de 52% para 61%; virou 5,5 pontos |
| França 2024 · legislativas | Coordenação | Mais de 200 candidatos em terceiro lugar desistiram para concentrar o voto contra o líder | O bloco mais votado no 1º turno, com 33%, terminou em terceiro em cadeiras |
| Portugal 1986 · Soares | Coalizão | O Partido Comunista orientou o voto no adversário histórico para barrar a direita | De 25,4% para 51,2%; virou 20,9 pontos |
| Geórgia (EUA) 2021 · Ossoff | Retenção desigual | 752 mil eleitores de novembro não voltaram; 228 mil novos votaram | As seções do líder perderam 310 mil votantes; as do desafiante, 220 mil. Virou 1,8 ponto |
| Geórgia (EUA) 1992 · Coverdell | Retenção desigual | Sem a eleição presidencial na cédula, o comparecimento caiu quase pela metade | Virou 1,6 ponto sem transferência relevante de votos |
- Coalizão aparece em todos os casos, com rendimento muito desigual: decisiva no Peru, parcial no Uruguai, fraca no Brasil de 2022.
- Mobilização rendeu onde o voto é facultativo. Colômbia e Chile ganharam 8 pontos de comparecimento; no Brasil, a abstenção nunca variou mais de 3,4 pontos entre turnos.
- Evento isolado não bastou. No Peru, a denúncia só pesou junto com a marcha e o apoio da esquerda.
- Onde não houve transferência, decidiu a retenção: na Geórgia, a base do líder voltou menos às urnas nas duas viradas.
- O que não se transporta dos Estados Unidos: voto antecipado e pelo correio, registro de eleitores e a escala de gasto em TV.
Pesquisas brasileiras de 2025 e 2026: quem ainda está disponível
Duas classificações recentes da Quaest ajudam a localizar os votos em disputa. Elas entram na simulação como público das conversas.
Nove perfis de valores
Em Brasil no Espelho (2025), Felipe Nunes divide o país em nove segmentos a partir de quase 10 mil entrevistas em 340 municípios e 137 indicadores de crenças. Os dois maiores são os conservadores cristãos, evangélicos e católicos praticantes que valorizam ordem e hierarquia familiar, e os dependentes do Estado, das classes D e E, do Norte, do Nordeste e das periferias.
| Perfil | Tamanho | Com quem esteve em 2022 |
|---|---|---|
| Conservadores cristãos | 27% | Bolsonaro |
| Dependentes do Estado | 23% | Lula |
| Agro | 13% | Bolsonaro |
| Progressistas | 11% | Lula |
| Militantes de esquerda | 7% | Lula |
| Empresários | 6% | Bolsonaro |
| Liberais sociais | 5% | Lula |
| Empreendedores individuais | 5% | Divididos, com parte para Lula |
| Extrema direita | 3% | Bolsonaro |
Cinco identidades políticas
Nas pesquisas eleitorais, a Quaest pergunta em qual grupo o eleitor se encaixa. Os números são da rodada de 24 a 27 de setembro de 2026, salvo indicação.
| Identidade | Tamanho | Voto no 1º turno | Voto no 2º turno | Medo maior |
|---|---|---|---|---|
| Lulistas | cerca de 20% | — | — | — |
| Esquerda não lulista | cerca de 13% | 75% Lula | 89% Lula | 86% temem mais a volta dos Bolsonaro |
| Independentes | cerca de 31% | — | Flávio 32% × Lula 28%, no início de setembro | — |
| Direita não bolsonarista | 21% | 71% Flávio | 85% Flávio | 87% temem mais a reeleição de Lula |
| Bolsonaristas | 12% | — | — | — |
- A direita fora do bolsonarismo é maior que o bolsonarismo: 21% contra 12%. Ela converte 85% para Flávio Bolsonaro no 2º turno.
- O voto contra pesa nos dois lados: a esquerda não lulista vota para impedir a volta dos Bolsonaro; a direita não bolsonarista, para impedir a reeleição.
- Os independentes são cerca de um terço e estão divididos: no começo de setembro, 32% a 28%, com quatro em cada dez sem escolha.
- No agregado: a mesma rodada dava 42% a 42% no 2º turno, aprovação de 46% e desaprovação de 49%, e Flávio Bolsonaro como o mais rejeitado, com 56%.
Os tamanhos de lulistas, esquerda não lulista e independentes são aproximados: a Quaest publicou 21% e 12% para os dois grupos de direita. O livro dá o tamanho e a coalizão de cada perfil em 2022, sem percentuais de voto por perfil.
O que foi medido com rigor
Os efeitos medidos com método causal são pequenos e, em geral, lineares. A lista junta os estudos clássicos e os de 2023 a 2025, de vários países.
| Ferramenta | Estudo | Efeito medido | Tipo de evidência |
|---|---|---|---|
| Conversa porta a porta, persuasão | Pons (2018), França | +3,24 p.p. de votos no 1º turno e +2,75 no 2º nas seções visitadas; um quarto da margem final | Experimento nacional |
| Contato de campanha, persuasão | Kalla e Broockman (2018), EUA | Melhor estimativa igual a zero em eleições gerais | Meta-análise de 49 experimentos |
| Conversa porta a porta, comparecimento | Nickerson (2008), EUA | +9,8 p.p. entre os contatados numa primária; zero na presidencial francesa | Experimentos |
| Contágio no domicílio | Nickerson (2008) | 60% do efeito passa para a outra pessoa da casa | Experimento com placebo |
| Transporte gratuito no dia | Pereira e outros (2023), Brasil | −0,03 p.p. de comparecimento, erro-padrão de 0,22 | Estudo de evento |
| Debates na TV | Le Pennec e Pons (2023), 62 eleições | Nenhum efeito na formação do voto; 17% a 29% decidem nos dois meses finais | Painéis de pesquisa |
| Terminar o 1º turno em primeiro | Granzier, Pons e Tricaud (2023) | +5,8 p.p. na probabilidade de vencer; pelo menos +1,3 p.p. de votos | Regressão descontínua |
| Transferência dos eliminados | Datafolha, Brasil 2026 | 43% para Flávio Bolsonaro, 30% para Lula, 27% sem escolha | Pesquisa de intenção |
| Comparecimento entre turnos | IDEA, 60 segundos turnos | Média cai de 70,3% para 68,6%; sobe na maioria das viradas | Descritiva |
| Mensagem em rede social | Bond e outros (2012), EUA | 61 milhões de mensagens: 60 mil votos diretos e 280 mil por contágio entre amigos próximos | Experimento |
| Mensagens entre amigos | Schein e outros (2021), EUA | +8,3 p.p. de comparecimento entre os contatados; mensagem em massa rende 0,5 | Experimento |
| Propaganda de TV | Sides, Vavreck e Warshaw (2022), EUA | Efeito bem menor em eleições presidenciais do que nas demais | Fronteiras de mercados de mídia |
| Anúncios digitais | Aggarwal e outros (2023), EUA | Campanha de 8,9 milhões de dólares para 2 milhões de eleitores: nenhum efeito médio no comparecimento; +0,4 p.p. entre simpatizantes e −0,3 entre adversários | Experimento |
| Informação sobre o candidato menos conhecido | Broockman e Kalla (2023), EUA | Mensagens sobre Biden moveram mais do que mensagens sobre Trump: o eleitor sabia menos sobre o desafiante | Experimentos de pesquisa |
| Sair das redes sociais | Allcott e outros (2024), EUA | Seis semanas sem Facebook ou Instagram antes da eleição: nenhum efeito claro sobre voto ou polarização | Experimento com 35 mil usuários |
| Fotos e vídeos no WhatsApp | Ventura e outros (2025), Brasil 2022 | Desligar a mídia reduziu a exposição a boatos, sem mudar crenças nem polarização | Experimento |
| Diálogo com IA | Lin e outros (2025), EUA, Canadá e Polônia | No Canadá e na Polônia, cerca de 10 pontos entre eleitores do adversário logo após a conversa; nos EUA, menos. Cerca de um terço persistiu | Experimentos |
| O que torna a IA persuasiva | Hackenburg e outros (2025), Science | Volume de fatos e argumentos pesa mais do que personalização; os modelos mais persuasivos erraram mais | Experimentos |
- Rende voto medido: conversa presencial, com teto perto de 3 votos a cada 100 eleitores das seções visitadas.
- Não rendeu quando medido: passe livre, debates e contato de campanha genérico.
- Joga contra quem está atrás: o simples fato de ter terminado em segundo.
- Novidade de 2025: diálogos com IA moveram mais do que qualquer anúncio já medido, mas em laboratório, logo após a conversa, e com dois terços do efeito sumindo depois.
- Táticas em rede são as únicas com contágio medido, sobre uma base minúscula: 340 mil votos em 61 milhões de mensagens.
Os estudos de 2023 a 2025 sem link foram resumidos de memória; confira antes de citar.
Onde um ganho puxa outro
Nenhum efeito exponencial foi medido de forma causal num 2º turno. Os casos mostram quatro mecanismos de retroalimentação.
| Mecanismo | Como amplifica | Onde apareceu | O que se sabe do tamanho |
|---|---|---|---|
| Coordenação contra o líder | Eleitores sem candidato convergem juntos quando um apoio, uma marcha ou uma denúncia indicam para onde os outros vão | Peru 2016, Colômbia 2014 | Kuczynski ficou com 29 dos 39 pontos disponíveis |
| Contágio de comparecimento | Quem é mobilizado leva junto alguém da casa | Experimento nos EUA; campanhas de porta do Chile e do Uruguai | 60% no primeiro elo, um multiplicador de 1,6 |
| Placar como sinal | Quem termina na frente atrai voto útil e adesão de quem quer votar no vencedor | França e mais 19 países | Pelo menos 1,3 p.p. de votos a favor do primeiro colocado |
| Ativação de estrutura parada | Redes locais que não trabalharam no 1º turno entram todas de uma vez | Colômbia 2014, costa caribenha | 19% mais votantes, com voto facultativo |
- Exponencial, aqui, quer dizer limiar: a denúncia no Peru não moveu a pesquisa sozinha; somada à marcha e ao apoio da esquerda, coincidiu com uma virada de 18,8 pontos.
- Um dos quatro mecanismos trabalha contra quem está atrás: o placar do 1º turno favorece o líder.
- No Brasil o teto é mais baixo. O voto obrigatório limita o ganho de comparecimento, e em 2026 os eliminados somam 7,8% dos votos, contra 39% no Peru de 2016.
05 / Método
Dá para confiar na conta?
Nas ordens de grandeza, sim. No ponto exato, não: o que o modelo não explica pesa dez vezes mais do que qualquer hipótese explícita.
Como a simulação funciona
- Agentes: 15.869, cada um representando cerca de 10 mil eleitores, com região, escolaridade e comportamento no 1º turno.
- Duas decisões: comparecer e, comparecendo, escolher. Toda alavanca muda a probabilidade de uma delas.
- Uma interação: quem recebe uma conversa de mobilização repassa parte do efeito aos vizinhos.
- Perfis e identidades: cada agente recebe um dos nove perfis de Brasil no Espelho e uma das cinco identidades da Quaest. Os tamanhos nacionais batem com os publicados. Quem não escolheu ninguém no 1º turno ganha uma inclinação conforme a identidade, sem alterar a média da sua região e escolaridade.
- No mapa: os mesmos agentes ganham um estado e uma posição. A cada dia, parte dos eleitores decide sozinha, as campanhas fazem as conversas do dia e quem mudou de voto na véspera tenta os seis vizinhos mais próximos.
- Apuração: soma dos valores esperados de todos os agentes. A incerteza vem só dos parâmetros.
Como foi testada
- Duas linhas de base que discordam: as pesquisas de transferência põem Lula 2,9 pontos atrás; o padrão dos sete segundos turnos brasileiros, 0,8. A base usa a média, 1,9.
- Retroteste de 2022: com as transferências medidas na véspera, o modelo põe Bolsonaro 6,5 pontos atrás; o resultado foi 1,8. Por região, acerta a ordem e erra de 1 a 4 pontos, sempre na mesma direção.
- Padrão histórico: prever cada 2º turno com a mediana dos outros seis dá erro mediano de 2,4 pontos, com um caso extremo de 16 pontos em 2006.
- Identidades contra a Quaest: o modelo põe a esquerda não lulista em 76% para Lula no 1º turno e 78% no 2º; a Quaest mediu 75% e 89%. Para a direita não bolsonarista, 78% e 83% para Flávio Bolsonaro, contra 71% e 85%. O modelo distribui os eliminados por bloco, e não por identidade, e por isso subestima a conversão da esquerda não lulista.
- Mapa contra calculadora: em 60 campanhas rodadas no mapa, a margem média na base foi de −1,87 ponto, contra −1,91 da calculadora. Cada rodada varia cerca de 0,35 ponto.
- Verificação: esta página reproduz os números do modelo NetLogo original, que passa em oito testes automáticos de conservação, limites, monotonicidade e simetria.
Limites que mudam a leitura
- Região e escolaridade são estimadas. O TSE ainda não publicou o detalhamento de 2026; pesquisas foram ajustadas ao resultado nacional.
- A divisão por estado também é estimada. Parte do resultado de 2022, deslocado para o total nacional de 2026, com as parciais de Ceará, Rio de Janeiro, Piauí e Pará e o vencedor de cada estado quando a apuração estava em 90%. Dentro do estado, a posição de cada ponto é sorteada: o mapa não mostra municípios, e área não é voto.
- A ligação entre perfil, identidade e voto é presumida. As pesquisas publicam tamanhos e coalizões; quanto cada perfil pesa em cada região, escolaridade e comportamento de voto foi arbitrado a partir das descrições. Sirva-se das ordens de grandeza, e trate os números por segmento como hipótese.
- O contágio no mapa é uma hipótese de trabalho. A vizinhança geográfica substitui redes reais de família, trabalho e igreja, que ninguém mediu nessa escala.
- Efeitos por conversa vêm da França e dos EUA. Não há experimento equivalente para um 2º turno presidencial no Brasil.
- A cascata não é simulada. Coordenação entre eleitores entra como controle de cenário, sem dinâmica própria.
- Fora do modelo: conteúdo das mensagens, redes sociais, uso da máquina pública e irregularidades.
- O percentual do Monte Carlo não é prognóstico. Ele mede a incerteza assumida, apoiada em um retroteste e sete eleições.
Fontes
- Zovatto e Liendo, IDEA Internacional (2023): tendências do balotaje na América Latina
- Zovatto (2021): balotaje e reversão de resultado
- Pérez-Liñán: a reversão do resultado na dupla volta eleitoral
- IDEA: Colômbia 2014, 2º turno
- CIDOB: a vitória de Santos, chaves e consequências
- Ex-Ante: ajustes da campanha de Boric
- The Clinic: de onde vieram os votos de Boric (DecideChile)
- El Observador: Peru 2016 na véspera
- El Desconcierto: marcha Keiko no va
- La Nación: Compromiso por el País, Uruguai 2019
- Diálogo Político: a campanha voto a voto do Frente Amplio
- Forbes Colombia: 2º turno de 2026
- Observador/BBC: Peru 2026
- Poder360: viradas para governador, 1990 a 2022
- InvestNews: viradas municipais de 2024
- BP Money: histórico dos segundos turnos presidenciais
- Gazeta do Povo: abstenção por eleição
- Datafolha, véspera do 2º turno de 2022
- Metrópoles: Datafolha sobre transferência dos eliminados em 2026
- CNN Brasil: Real Time Big Data por região
- DCM: Datafolha por segmento
- Congresso em Foco: abstenção por escolaridade em 2022
- Pons (2018), American Economic Review
- Kalla e Broockman (2018), American Political Science Review
- Nickerson (2008), American Political Science Review
- Pereira e outros (2023), Electoral Studies
- Le Pennec e Pons (2023), Quarterly Journal of Economics
- Granzier, Pons e Tricaud (2023), AEJ: Applied Economics
- Atlanta Journal-Constitution: quem não voltou no 2º turno da Geórgia
- GPB: queda de comparecimento por seção na Geórgia
- Bond e outros (2012), Nature
- Schein e outros (2021): mensagens entre amigos
- Sides, Vavreck e Warshaw (2022): propaganda de TV
- Revista Fórum: os nove segmentos de Brasil no Espelho
- Revista Fórum: os segmentos e a coalizão de 2022
- Metrópoles: tipologia de Felipe Nunes e crescimento do centro
- Nexo: o que move os eleitores de Lula e de Flávio Bolsonaro (Quaest por identidade)
- Poder360: Quaest de 24 a 27 de setembro de 2026
- TVT News: Quaest, voto dos independentes no 2º turno
- Cornell: Lin e outros (2025), diálogos com IA, Nature
- CSMaP/NYU: Ventura e outros (2025), experimento com WhatsApp no Brasil
- Polônia 2025: resultados e comparecimento
- Fundação Robert Schuman: Romênia 2025
- Euronews Romênia: estatísticas do 2º turno de 2025